João Santos – 1ª Menção Honrosa “Lendas”


“Em pequeno, se alguma gripe ou fingimento de criança me livrava de ir à escola, recordo que a minha mãe sempre me oferecia um livro de colorir para me entreter. O meu pai em casa desenhava e lá fora no mundo era artista urbano, pintava as paredes dos outros com uma abordagem muito minimalista, muito monocromática… na altura chamavam-lhe pintor de construção civil. Recordo que me ajudou a fazer um desenho e a vencer um concurso da escola. Na altura o prémio foi uma grande e colorida… borracha… acho que na altura ninguém percebeu a ironia de oferecer uma borracha como prémio num concurso de desenho. Não sei se eu a percebi e levei demasiado a peito, o que é certo é que durante muito tempo não mais desenhei nem pintei nem nada do género… durante muito tempo para o papel só passaram a entrar letras e números…

Até que uma vez, há já uns 7 anos, em San Sebastian, no País Basco, a fazer Erasmus, um certo dia peguei num bloco, uma caneta e pus-me a desenhar o que tinha à frente, uma biblioteca no parque da cidade. Não sei bem o que me deu, mas sei que não mais parou, ao ponto de hoje nunca saír de casa sem um bloco e umas canetas, ao ponto de aproveitar todos os breves minutos de metro entre Alvalade e a Alameda para desenhar os meus companheiros de viagem. Tirando um curso de desenho de modelo nu, tive poucas e breves formações na área. Mas vou aprendendo pelo que experimento, pelo que erro, pelo que faço e pelo que busco conhecer do que os outros fizeram/fazem, sejam eles o Dali, o Shaun Tan ou apenas um tipo que como eu faz das viagens de metro o seu estúdio ambulante.”

Outros Vencedores


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